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OPA! pergunta, Anízio responde... 1 – Qual o "insight" para a escrita de sua obra? A vida cotidiana. O exercício é tirar poesia da vida ordinária. 2 – Há um microcosmo em sua obra (Assim tipo Macondo é microcosmo na obra de um Garcia Márquez) O meu microcosmo: "só na vida é que há ficção" 3 – Qual foi a recepção de sua obra no meio literário? E no meio social? Os prêmios me deram uma mini projeção. Quando apresento meus textos noto que atinjo a pessoa comum, não especializada, isso me interessa. Já tive o retorno de pessoas do meio literário que me deixaram muito contente... no mais escrevo sempre... não perco tempo com a política literária. 4 - O que seria hoje uma literatura de protesto e denúncia? Ainda existem "vanguardas"? Hoje há poéticas. Assim, textos de protestos e denúncia convivem com outros em que a temática é outra, diversa... Não há mais patrulhas ideológicas... O termo vanguarda é bélico... Significante que entendo atrelado às duas grandes guerras mundiais.... período onde os manifestos, planos piloto para a poesia, foram escritos... Em a "Tradição da ruptura", Octavio Paz demonstrou que o "estar à frente" do seu tempo oculta o desejo de escritores de se tornarem cânones e se inserirem na tradição. Vejo artistas se reunindo em torno de uma hipotética proposta... Contudo, observo que os comboios de artistas reunidos hoje em dia têm uma função mais pragmática: tratam do aspecto profissionalizante da atividade artística. Estão mais para associações/cooperativas do que movimentos artísticos. Não giram mais em torno de propostas estéticas. Vanguarda, manifesto, plano-piloto, movimento artístico, são significantes datados... Após a queda do muro de Berlim e a morte de Fidel, o imaginário dos artistas não gira mais ao redor da esperança de ver uma sociedade igualitária (promessas do socialismo e do comunismo). O capitalismo venceu, a arte é feita de produtos de consumo e não sabemos muito bem o que fazer com esta realidade. 5 - A Obra é maior que o Autor? Depende da obra. Depende do autor. O tempo e a ausência do autor são os melhores críticos de uma obra literária. Enquanto o autor está vivo, trabalhando o seu marketing pessoal/viral. Entre mailings e networkings... a sua obra persiste... Mas, e na sua ausência? Passei o período da faculdade assistindo à celeuma entre poetas concretos e os poetas contrários aos preceitos do movimento. Haroldo de Campos já se foi, Bruno Tolentino também... E assim vai..... o tempo dará o veredicto final... Sem os principais protagonistas quem manterá aceso o debate? 6 – O que é ser Poeta (escritor) nesta "mineira capital" ? Sou um poeta urbano. Um cara da cidade. De qualquer cidade. Por isso fiz meu blog: http://escrevoaovivo.blogspot.com , para escrever sempre... escrever muito... testar os meus limites... a geografia nos limita... prefiro agir e pensar como se eu fosse de qualquer capital: quando escrevo "sou de qualquer lugar/sou de lugar nenhum". 7 – Para finalizar, uma obra que recomenda e uma que censura. Não tenho preconceitos quanto a livros. Já li Lair Ribeiro, "sub-literaturas", Caras, auto-ajuda... e os clássicos... Ler os clássicos é não perder tempo, então: Mensagem, Fernando Pessoa Qualquer um da Clarice Contos de Machado de Assis Enrique Lihn (poeta chileno que traduzo há cinco anos) Conheça mais sobre o autor: escrevoaovivo.blogspot.com
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