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1 - Qual o "insight" para a escrita de sua obra?

Geralmente, a condição humana. Compreendendo o sentido de "insight" como visão que anuncia - de modo meio incerto a princípio - o teor e a direção da inspiração, vejo que em tudo o que escrevo, há um ponto central: o homem e os infinitos desdobramentos da existência, as circunstâncias e cenários que nascem e acabam no tempo de uma vida.

2 - Há um microcosmo em sua obra (Assim tipo Macondo é
microcosmo na obra de um Garcia Márquez)?

Não. Microcosmo não. Há somente traços característicos do humor.

3 - Qual foi a recepção de sua obra no meio literário?
E no meio social?

No meio social, a recepção foi muito boa.Já no meio literário,é necessária uma certa popularidade (associação do autor a eventos, editoras,iniciativas ou entidades) para se obter bons contatos e maneiras de divulgação mais profícuas. Como não pertenço ao "meio literário" por escolha própria e sou totalmente independente, posso dizer que a recepção foi fraca, já que poucas pessoas do "meio literário" souberam da obra.

4 - O que seria hoje uma literatura de protesto e denúncia?
Ainda existem "vanguardas"?

Conteúdos que inspiram uma literatura de denúncia e/ou protesto são explorados há muito. Na verdade, tal exploração é muito comum, visto que o tempo atual é demasiado carregado e controverso; assim, há mais para protesto que para contemplação. A literatura de denúncia e/ou protesto se transformou em um registro de normalidade, uma matéria prima escancarada que bate à porta a procura do escritor, uma espécie de clichê que atormenta os autores contemporâneos. Não tenho visto muitos que se contentam em salientar a magia das circunstâncias.

Particularmente, penso que nos dias atuais não existem vanguardas - nem há como existir. O pensamento é mais multifacetado que nunca; tão cheio de possibilidades e nenhuma ao mesmo tempo. É difícil achar algo inovador, é árduo até procurar pelo inovador. Há quem se apaixone pela idéia de pioneirismo - diferente de ser pioneiro. "Os clássicos escreviam tão bem porque não tinham os clássicos para atrapalhar" (Quintana).

5 - A Obra é maior que o Autor?

Gostaria de pensar que sim. Gostaria. Seria o ideal. Na prática, contudo, não é bem assim. Principalmente no meio independente (herança transmitida de cima para baixo), é necessária a construção de um nome para se fazer notar (um nome que se associe à eventos, editoras, iniciativas, contatos, entidades e etc.). A coisa mais hilária deste cenário - e a mais comum - é ver alguns artistas que, com muita dificuldade, chegam à condição de normalidade; artistas com mensagens irrelevantes ou nenhuma mensagem, que subsistem no cenário há anos, bem reconhecidos. Mais hilário que isto, é o reconhecimento do nome construído, apesar da consciência de que a obra em si é fraca.
Geralmente, são aqueles que dispõem de uma boa equipe e introduzem na obra, características próprias da personalidade tão popular - um elo primordial para a interação do leitor com o nome cultuado.  Infelizmente, na prática, o autor se tornou maior que obra, considerando que a construção de um nome é primordial para expulsá-la das pratelerias. Do contrário, não haveriam Paulo Coelhos.

6 - O que é ser Poeta (escritor) nesta "mineira capital" ?

Ser poeta é ser poeta em qualquer lugar, é inerente ao espírito; não há nada que vincule a idéia de poeta à praticidade ou atuação. Ser poeta é ser livre de timidez emocional.
Mas, se relacionarmos o "ser poeta" ao desejo de construir uma "carreira poética" em Belo Horizonte, ser poeta é nadar contra a maré - a menos que se agrege. Há algumas inciativas que viabilizam esta agregação e portanto, há sim vários poetas que "fazem" carreira, se fazem notar. Ser poeta em Belo Horizonte é divulgar os trabalhos com certo planejamento, se aproximar de quem faz poesia e busca meios de ser também reconhecido.

7 - Para finalizar, uma obra que recomenda e uma que
censura.

Recomendo "Frankenstein", de Mary Shelley.
Censuro "O jogador", de Dostoiévski.

Conheça mais sobre a autora: inimigadopovo.blogspot.com

 
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