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ImageOpa! Oficina de Produção Artística - Tropofonia
Apoio cultural: Instituto Cervantes

Depois de uma semana chuvosa e tempestuosa, BH foi favorecida com uma bela noite cálida e estrelada, com uma lua sutil, numa dádiva dos ‘dioses argentinos da la lluva’, presentes, certamente, em nosso lírico e caliente SARAU
HISPÂNICO, no teatro de arena do Centro Cultural Lagoa do Nado.
Rubros casulos humanos se contorcem, se desnudam, a rastejar entre as sílabas ásperas e agrestes de ANU e
Eusmaranhados... Rubros casulos humanos a se desfiar, desfazer-se em crisálidas de nudez, despertando os sentidos às contorsões serpentinas das peles pálidas, desprotegidas diante dos olhares de desejo ou repressão.
Em leituras de “Lágrimas en el lago de púrpura”, tradução de Sebastián, e trechos de ANU, poema-alado-performático de Joaquim (Wilmar) Palmeira (Silva), que empolga os presentes, estendendo-se em iconoclástica performance.
Os poetas Diovvani Mendonça e Juan Fiorino ocupam a nossa arena, com poemas traduzidos do español, ou clássicos versos de Jorge Luis Borges (no original!). Além do que Fiorini divulga seu pré-livro ‘Quase nada sempre tudo’, do qual os colaboradores podem o vale-livro, aliás, prontamente adquiridos pelos poetas Rodrigo Starling, Diovvani Mendonça e Leonardo de Magalhaens.
Enquanto as dançarinas ciganas se preparam, segue-se a queima ritual de ANU, sob os auspícios e empolgação de Joaquim (Wilmar) Palmeira (Silva), “exagerado, eu sou mesmo exagerado”, congregando os convivas e fiéis meio às sobras incandescentes do ANU, para o réquiem, a despedida ao corpus poético da ave-poema.
A dança cigana domina a noite num bailado multicor a receber a homenagem dos caballeros, extasiados com os volteios de saias múltiplas, no calor da dança, no fulgor dos corpos bailantes.
Mostrando a cultura gitana que dominou a Espanha, com sua riqueza e calor, numa sociedade marcada pela rigidez religiosa.
Antes do filme curta-metragem “Talitha”, de Laia Ferrari e Sebastián Moreno, temos as leituras declamadas de poemas de clássicos hispânicos, feitas por Leonardo, com destaques para os poetas Girondo, Neruda, Octavio Paz e Garcia Lorca. 
Após o desfrute do cocktail de frutas e bombons, os artistas e a platéia (o que restou dela) assistem ao curta-metragem “Talitha”, inspirado em trechos de “Tabacaria” de Fernando Pessoa, que é então “Tabaquería”, para fechar esta noite agradável e caliente (em todos os sentidos).

No soy nada.
Nunca seré nada.
No puedo querer ser nada.
Aparte de eso, tengo en mí todos los sueños del mundo.

 
 
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